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Liderança Interna e Gestão de Conflitos

January 19, 2019

Vou contar uma história que aconteceu semana passada.

Me ligou um cliente, com quem eu havia concluído um Processo de Coaching há mais de 1 ano. Ele estava muito estressado porque havia um conflito entre dois gerentes da sua empresa.

Duas pessoas que têm perfis comportamentais bem distintos e que vira e mexe estão envolvidos em atritos.

A angústia desse diretor era que em meio a tantas acusações, temia se decepcionar só de imaginar que um dos dois estaria mentindo. Sem saber o que fazer porque reconhece a importância dos dois para a empresa, decidiu me ligar. 

Pense comigo, se você é o diretor e vive uma situação assim, qual a primeira coisa a fazer?

O primeiro passo numa situação em que entramos em sofrimento e não conseguimos gerenciar nossas emoções é nos distanciar, olhar de fora para a situação, e elencar os fatos sem a emoção.

Quando um líder se deixa atingir por um conflito de sua equipe e se envolve emocionalmente, precisa se distanciar e entender o que naquele momento específico está tirando o seu autocontrole. Só assim ele terá mais condições de compreender a necessidade dos envolvidos e ajudá-los também.

Neste caso, como ele já havia passado por um processo de autoconhecimento, foi fácil de identificar o que ele precisava ver em si mesmo, para que pudesse reassumir sua liderança interna e aí sim ser um líder eficaz naquela situação. Uma ligação de pouco mais de 5 minutos e ele estava no controle para solucionar o conflito.

Quem tem esse autoconhecimento profundo, torna-se capaz de ser bem-sucedido desde uma entrevista de emprego até uma negociação envolvendo grandes empresas e fortunas.

O autoconhecimento é o que possibilita saber que tipo de situação irá tirá-lo do sério e fazê-lo reagir de forma prejudicial ao seu objetivo. Normalmente nossas reações mais intempestivas são aquelas que nos atingem direto numa necessidade de valor não atendida.

Um líder é antes de mais nada alguém que se conhece profundamente para saber controlar seu jogo interno nas situações mais adversas e não se tornar seu próprio adversário numa situação de conflito. Essa consciência de quem você é, de quais são seus valores e do que é importante para você, o coloca em condições de assumir a liderança e o capacita para controlar suas ações e reações e não prejudicar o objetivo que pretende alcançar.

É o que Daniel Golleman chama de autogerenciamento. A forma como gerenciamos nossas emoções e o nosso próprio estado de humor.

Para liderar uma negociação, um líder precisamos ter o foco claro de onde quer chegar e conduzir a conversa em direção a este objetivo despertando emoções positivas nas pessoas com quem está negociando.

É importante termos a consciência de que o nosso cérebro é preparado para ver automaticamente o lado negativo de tudo o que vivemos, é uma forma que encontramos desde a época das cavernas de nos proteger e garantir a nossa sobrevivência.

Acontece que já evoluímos como humanidade e precisamos aprender a focar nas oportunidades que um conflito nos apresenta, não apenas nas ameaças.

Colocar o foco nas oportunidades é o que diferencia uma pessoa que exerce a liderança interna.

Vamos imaginar que você esteja procurando um emprego por exemplo, focar no medo de não ter como sustentar sua família, te impede de ver inúmeras oportunidades de vagas de trabalho, pois a ameaça aqui é não ter como atender a sua necessidade básica de sobrevivência. Nesta situação de desemprego, o maior medo é não ter como sobreviver, o que é muito legítimo.

E o convite que eu faço para uma pessoa que está procurando emprego é mudar o foco do seu olhar.

E se nessa situação, você fizesse o exercício de se visualizar numa função que te prendesse o dia inteiro pelo salário que atende apenas as suas necessidades de moradia e alimentação. 

Que oportunidades você estaria perdendo de se tornar mais realizado enquanto fica num emprego que só serve para atender suas necessidades básicas?

O desafio é mudar o foco, ampliar o campo de visão. Para que se inicie uma busca por vagas que te possibilitem a realização de estar trabalhando em algo que realmente faça sentido para você.

E ao encontrar essa oportunidade de trabalho, sentar para negociar a vaga com o entrevistador, conectando-se com ele, entendendo qual a necessidade que ele realmente tem e como você pode ajudá-lo a atingir seus objetivos, demonstrando que você compartilha dos mesmos valores da empresa e essa é uma oportunidade para que ambos atinjam seus objetivos.

Nós sabemos que cada vez mais as empresas estão buscando por pessoas que compartilhem de seus valores e, se for necessário , muitas empresas investem no desenvolvimento técnico do novo colaborador, porque sabem que ali terão um funcionário realmente engajado pois sua motivação maior não é o salário no final do mês, e sim poder agregar para o crescimento da empresa, contribuindo com o que ele sabe fazer de melhor.

Quando nos conectamos e criamos um laço emocional, entendendo a necessidade da outra pessoa, tornamos possível, inclusive, mudar a sua forma de pensar.

Porque no fundo num conflito, o que todos querem é ser ouvidos. Por isso uma pessoa de fora, sem envolvimento emocional é importante para mediar a conversa.

E isso serve tanto para negociações profissionais quanto pessoais.

Negociamos todos os dias sem nem perceber, tomar consciência de que podemos liderar nas mais diversas negociações que a vida nos apresenta, nos torna líderes preparados para vencer os conflitos internos e externos que enfrentamos diariamente.

 

 

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