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Violência contra a Mulher, vamos meter a colher?

January 17, 2019

Você sabe o que é um Movimento Sistêmico?

 

É quando um pequeno movimento nosso desencadeia vários outros que vão atingir pessoas e sistemas. Não somos capazes sequer de imaginar o impacto que o nosso posicionamento ou a falta dele é capaz de ter na realidade que vivemos .

 

 

sabendo que poderemos ser capazes de contribuir com as mudanças que queremos ou simplesmente deixar que aquilo que nos incomoda, cresça por não acreditar na força que temos quando assumimos uma atitude que promova as mudanças necessárias.

 

Recentemente fui convidada a assumir a liderança do GT de Combate a Violência contra a Mulher do Núcleo de Florianópolis do Grupo Mulheres do Brasil.

Aceitar esse convite foi um desafio muito grande para mim.

 

Essa realidade tão triste que vivemos, me toca tão profundamente, que eu decidi fugir de notícias relacionadas a esse tema por muitos anos.

Agora se temos um problema e fechamos os olhos pra ele, ou fugimos dele, o que costuma acontecer?

 

Um problema que não é solucionado, cresce. É fato.

 

E assim como eu fiz por muitos anos, nós como sociedade durante muito tempo cultivamos a crença de que em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.

 

E o que acontece quando nos omitimos nessa situação?

 

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública:

 

3 mulheres são assassinadas por dia no Brasil

1 Mulher é vítima de estupro a cada 9 minutos

1 Mulher registra agressão a cada 2 minutos

Só em Santa Catarina 66 mulheres foram assassinadas no ano de 2018.

Basta ligar a TV ou abrir o jornal a qualquer hora que veremos a notícia de que uma mulher foi assassinada.

 

Esta semana uma jovem foi morta dentro do shopping enquanto trabalhava por um ex companheiro que se matou em seguida.

 

Mesmo estando longe de notícias relacionadas ao tema por muitos anos, tive a oportunidade de acompanhar de perto, mulheres que vivem essa situação.

 

E quando eu falei lá no início que não temos noção do impacto que um pequeno gesto nosso é capaz de provocar na nossa realidade, não somos mesmo.

 

Conheci uma mulher que ao ser agredida pelo marido numa madrugada, lembrou imediatamente de um áudio que havia recebido em grupo de whats app que tinham vozes de mulheres pedindo socorro a polícia quando já era tarde demais.

Essa mulher estava sendo ameaçada há algum tempo, mas não acreditava que seu marido seria capaz até aquela noite. A lembrança do áudio lhe deu forças para que ela agisse de forma estratégica, para salvar a sua vida.

Um áudio despretensioso de whats app e aquela mulher foi capaz de agir com assertividade no momento de maior stress da sua vida. Naquele exato momento ela tomou a consciência, que ainda não tinha tomado. Apesar de todas as evidências e alertas anteriores de pessoas que a amavam, só naquele momento ela percebeu que estava infelizmente dormindo com o inimigo. Pra ela não foi tarde demais. Para milhares de mulheres infelizmente foi.

 

Temos dentro de nós uma inteligência que vem de experiências de vida do sistema em que estamos inseridos e que é capaz de promover ações realmente transformadoras e que salvam vidas.

 

O desafio que eu me proponho ao entrar nessa luta para combater a violência contra a mulher é que possamos olhar para homens e mulheres que vivem relacionamentos adoecidos. Fortalecer homens e mulheres para que ambos compreendam que não dependem um do outro.

 

Homens agressores, precisam ser olhados e cuidados também.

 

Pois como falou uma mulher ao seu advogado quando este argumentava sobre a importância de fazer uma medida protetiva . “Que garantia eu tenho de que não serei morta se eu fizer isso?”

Uma pessoa doente de ciúme, dependente emocionalmente de outra pode ter o gatilho acionado nessa medida protetiva para cometer o crime que todos estão querendo evitar.

Sou totalmente a favor das medidas protetivas. Elas podem salvar vidas realmente. Apenas reforço que precisamos de um olhar sistêmico para resolver a causa raiz.

 

Temos vários exemplos de pequenas atitudes que salvam vidas:

 

Como a rede Magazine Luiza que colocou em suas lojas urnas para que quem soubesse de algum caso de mulher em situação de violência pudesse denunciar de forma anônima e assim garantir que essa mulher seja protegida.

Como a Associação Catarinense das Indústrias de Água Mineral, que lançará a campanha “Diga não a Violência contra a Mulher” e as empresas engarrafadoras de água mineral colocaram o disque denúncia 180 nos garrafões de água.

E cada um de nós pode fazer a sua parte. Que seja uma mensagem no whats app, uma postagem numa rede social, incentivar conversas sobre o tema. Ou seja, não fechando os olhos ,os ouvidos e principalmente não se calando diante dessa triste realidade que vivemos.

Afinal de contas, somos sim formadores de opinião. E precisamos assumir a nossa responsabilidade para mudar essa realidade.

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